01/05/2004

GTEL pesquisa avanços da tecnologia sem fio

GTEL pesquisa avanços da tecnologia sem fio e desponta como centro especializado em telefonia celular de última geração.
Texto extraído da matéria "Comunicação Wi-fi", publicado na revista Universidade Pública, Ano III - N° 21 - março/abril - 2004
O Grupo de Pesquisas em Telecomunicações Sem Fio (GTEL) da Universidade Federal do Ceará tem se situado como um importante centro de pesquisa no cenário mundial das telecomunicações. Atuando sob a coordenação do professor Rodrigo Cavalcanti e vinculado ao Departamento de Engenharia de Teleinformática (DETI) da Universidade, o Grupo investe em pesquisas visando a estabilidade e a qualidade da transmissão de dados via telefonia celular e outras formas de comunicação móvel. "As pesquisas do GTEL estão voltadas para a evolução da telefonia móvel no sentido de que você tenha terminais compactos, com múltiplas opções de serviço, com qualidade para transmissões estáveis de voz e texto, e agora, com a terceira geração (3G) de celulares, de sons e vídeos", afirma o coordenador. Segundo ele, o trabalho feito está nos "bastidores" do avanço tecnológico na área de wireless fidelity (ou simplesmente wi-fi, uma referência à tecnologia sem fio) e o objetivo fundamental das pesquisas com a 3G é possibilitar que o usuário "puxe" para o telefone celular um pouco daquilo que já está acostumado a "baixar" da Internet.
Rodrigo Cavalcanti lembra que, entre a 3G, ainda em fase de testes e sem previsão de comercialização no Brasil, e a segunda geração (2G - hoje, a mais utilizada, com transmissão de voz e texto) de celulares, há uma intermediária. "A 2.5G, já disponível aqui, como a tecnologia GPRS (General Packet Radio System), já permite você enviar alguma coisa, como uma fotografia. Permite você efetuar alguns envios rudimentares de dados", afirma. Essas novas tecnologias, a população começa a reconhecer através de siglas como GSM (Global Standard Mobile) e TDMA (Time Division Multiple Access). Alguns pesquisadores do Grupo desenvolvem trabalhos com um horizonte de um a dois anos. Diante disso, a quarta geração (4G), embora ainda seja uni tópico tratado basicamente dentro da academia, já vem sendo pesquisada. "O que vem sendo muito debatido é qual seria a grande diferença, não só tecnológica, mas do ponto de vista do usuário, dessa 4G. O que ele quer desses terminais que nos permitiria chamá-la de uma nova geração", questiona o coordenador do GTEL.
O Grupo possui parcerias acadêmicas e com a industria, visando oferecer serviços de consultoria, cooperação técnica e científica com os parceiros. Junto à Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, o GTEL tem tentado estabelecer um acordo para o programa de doutorado em Engenharia de Teleinformática da UFC. Os doutorandos cursariam dois anos no Ceará e dois anos no interior paulista com validação do diploma pelas duas universidades. Já com o setor empresarial e outras instituições de pesquisa, pode-se destacar, além da parceria com a Ericsson, o vínculo do GTEL com o Instituto Atlântico e com as operadoras de telefonia celular TIM e Oi, para as quais o grupo presta consultoria.
A Ericsson, principal parceira do grupo, financia em torno de 20 bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado. O total de 14 bolsas de mestrado oferecidas pela Empresa, atualmente, representa o dobro da cota ofertada pela Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Ensino Superior (Capes) ao programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica da UFC.
De acordo com índices da própria Capes, a produção científica dos bolsistas da parceria GTEL/ Ericsson tem dado bons resultados, pois cada dissertação de mestrado defendida por estudantes da cooperação tem associada uma média de cinco artigos publicados no exterior.
A parceria conta ainda com um programa de estágio, no qual alunos do mestrado e de iniciação científica têm a oportunidade de trabalhar em grandes laboratórios da Ericsson, em estágios curtos de dois, três meses. O mestrando Yuri Carvalho, 25, participa do GTEL desde 2001, quando ainda era aluno da graduação em Engenharia Elétrica da UFC. O estudante se formou no ano seguinte, entrou para o programa de mestrado e, no final de 2003, foi para Estocolmo, na Suécia, estagiar durante três meses nos laboratórios da sede mundial da empresa. "Foi muito bom. Eu pude ter contato com as ferramentas de simulação que eles utilizam, com os temas de pesquisa e com a experiência que eles têm, pois são pessoas que fazem pesquisa de ponta nessa área".
Além de realizações voltadas à pesquisa, o GTEL contou com o apoio da Ericsson na construção da atual estrutura física de seus laboratórios. Inaugurado em julho de 2003, o bloco localizado no Campus do Pici tem modernas instalações, hoje ainda bem conservadas e seu projeto contou com a assessoria do Planejamento Físico e Operacional da UFC (Planop). "Inicialmente, funcionava no Departamento de Engenharia Elétrica, em uma estrutura bem menor que a atual", conta o professor Rodrigo Cavalcanti. Como integrante do DETI, o GTEL agora é um dos laboratórios do curso de Engenharia de Teleinformática da UFC, nova opção em graduação da instituição. "A primeira turma já foi apresentada à todos os nossos laboratórios, incluindo o GTEL. Essa apresentação faz parte do programa de uma disciplina de Introdução à Engenharia de Teleinformática e de uma orientação acadêmica", explica Paulo César Cortez, chefe do Departamento. Porém, somente da metade do curso para frente esses alunos deverão estar aptos a integrar o grupo de pesquisa através de bolsas de iniciação científica.
O professor Rodrigo Cavalcanti ressalta que a cooperação GTEL/Ericsson nasceu com a criação do Grupo, em 2000. O investimento inicial tinha como objetivo gerar as condições físicas e remunerar as bolsas de iniciação científica. Em 1999, após retornar do doutorado na Unicamp, Cavalcanti teve a oportunidade de criar o GTEL, pioneiro no Estado em sua linha de pesquisa.
O Grupo tem a missão de formar profissionais qualificados através da iniciação e produção científica e, no final de 2003 e início deste ano, renovou o contrato com a empresa sueca e se associou ao World Wireless Research Forum (WWRF), um fórum fechado, com universidades estrangeiras e empresas como a Nokia e a Ericsson. "A associação nos permite a participação em encontros debates que eles promovem, tendo uma voz nessa discussão", explica o coordenador.
Por Felipe Gurgel

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